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4.8.07

A caminho do Salar - Uyuni

Aguardamos um bom tempo na rodoviária para a liberação da estrada até Ururo, passagem necessária para Uyuni. Bolívia é também um país de forte contraste social e cultural. A moça do guichê alerta para um possível golpe de Estado. A população está rachada entre indígenas camponeses, favoráveis a Evo Morales (também índio), e outra parcela de bolivianos atentos ao atraso econômico e comercial do país.
Até aqui a viagem já nos custara quase todo o dinheiro, o tempo nos acelerava para cumprir o percursso estimado e o cansaço embaçava percepções mais entusiasmadas. Chegamos cedo em um vilarejo de Uyuni e podemos acompanhar a montagem da feira livre.
Os seis, ainda juntos - Tiago, Priscila, José Maria, Felipe, Leandro e Eu -, esperamos abrir a agência que nos vendera um pacote para uma expedição de 3 dias por desertos, lagoas, montanhas e tantas outras paisagens singulares daquela província.
Um jipe vermelho, talvez com 20 anos de estrada, foi reservado para nosso grupo "turistas mão de vaca" que negociou incansavelmente um desconto. Surpresos descobrimos que José Maria, o mais quieto de todos nós, falava mais que o guia contratado. Téo, o motorista e "guia" da expedição soltava como milho às pombas famintas poucas palavras que pudessem contextualizar os belos cenários que iamos passando.
O Lago dos Flamingos, a Lagoa Colorada cuja água muda de cor com a passagem do dia, os Vulcões, formações rochosas, tanta poeira em vasto terreno e ainda o incrível deserto de sal. O Salar de Uyuni nos impôs uma opinião comum, é sim a mais impressionante paisagem boliviana. É o maior do mundo. Mais de 12 mil km2 de imensidão branca de sal. Há milhares de anos a Cordilheira dos Andes vagarosamente formou-se, e como efeito criou uma barreira que eliminou o desague oceânico na costa boliviana. A grande piscina formada evaporou e ali aconteceu o que registra as primeiras aulas de física do colégio, a água e o sal separaram-se.
A natureza roubou boa parte do mar boliviano e em 1884 o canal que restou foi encorporado ao Chile após conflito com a Bolívia.
No terceiro dia logo pela manhã despedimo-nos de Priscila e Tiago que seguiram viagem para o deserto do Atacama rumo a Santiago e à noite José Maria e Felipe nos acompanhou até o ônibus para Potossi. Tchau aos quatro novos amigos que conosco viajaram por 10 dias. Leandro eu Eu seguimos para Potossi e depois para Sucre. Tinhamos que chegar o quanto antes em Santa Cruz de la Sierra e garantir bilhete do trem da morte até Porto Quijaro, e assim chegar ao Brasil para não perder a passagem de volta a São Paulo.

1 Comments:

Blogger Camilla said...

Mesmo ainda sem ter lido toda a história, pude sentir em cada palavra contada, a sensação do momento vivido....
Adorei ver o que vc retratou através das lentes da sua câmera e tb dos teus olhos, que contaram cada passagem...
Bjs!
Camilla (Panachão rsrs).

5:36 PM

 

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