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10.12.08

4.8.07

A caminho do Salar - Uyuni

Aguardamos um bom tempo na rodoviária para a liberação da estrada até Ururo, passagem necessária para Uyuni. Bolívia é também um país de forte contraste social e cultural. A moça do guichê alerta para um possível golpe de Estado. A população está rachada entre indígenas camponeses, favoráveis a Evo Morales (também índio), e outra parcela de bolivianos atentos ao atraso econômico e comercial do país.
Até aqui a viagem já nos custara quase todo o dinheiro, o tempo nos acelerava para cumprir o percursso estimado e o cansaço embaçava percepções mais entusiasmadas. Chegamos cedo em um vilarejo de Uyuni e podemos acompanhar a montagem da feira livre.
Os seis, ainda juntos - Tiago, Priscila, José Maria, Felipe, Leandro e Eu -, esperamos abrir a agência que nos vendera um pacote para uma expedição de 3 dias por desertos, lagoas, montanhas e tantas outras paisagens singulares daquela província.
Um jipe vermelho, talvez com 20 anos de estrada, foi reservado para nosso grupo "turistas mão de vaca" que negociou incansavelmente um desconto. Surpresos descobrimos que José Maria, o mais quieto de todos nós, falava mais que o guia contratado. Téo, o motorista e "guia" da expedição soltava como milho às pombas famintas poucas palavras que pudessem contextualizar os belos cenários que iamos passando.
O Lago dos Flamingos, a Lagoa Colorada cuja água muda de cor com a passagem do dia, os Vulcões, formações rochosas, tanta poeira em vasto terreno e ainda o incrível deserto de sal. O Salar de Uyuni nos impôs uma opinião comum, é sim a mais impressionante paisagem boliviana. É o maior do mundo. Mais de 12 mil km2 de imensidão branca de sal. Há milhares de anos a Cordilheira dos Andes vagarosamente formou-se, e como efeito criou uma barreira que eliminou o desague oceânico na costa boliviana. A grande piscina formada evaporou e ali aconteceu o que registra as primeiras aulas de física do colégio, a água e o sal separaram-se.
A natureza roubou boa parte do mar boliviano e em 1884 o canal que restou foi encorporado ao Chile após conflito com a Bolívia.
No terceiro dia logo pela manhã despedimo-nos de Priscila e Tiago que seguiram viagem para o deserto do Atacama rumo a Santiago e à noite José Maria e Felipe nos acompanhou até o ônibus para Potossi. Tchau aos quatro novos amigos que conosco viajaram por 10 dias. Leandro eu Eu seguimos para Potossi e depois para Sucre. Tinhamos que chegar o quanto antes em Santa Cruz de la Sierra e garantir bilhete do trem da morte até Porto Quijaro, e assim chegar ao Brasil para não perder a passagem de volta a São Paulo.

13.7.07

La Paz - Bolívia

Corremos para pegar o último ônibus que chegaria à fronteira antes das 18h, horário em que encerram os procedimentos de migração. Se todas as outras aduaneiras foram burocráticas, em Desaguadeiro (primeira cidade boliviana) o negócio se resume em preencher um formulário e sair sem revista de
bagagem. Domingo, cidade pequena, sem bancos nas proximidades e nem qualquer casa de câmbio clandestina.
Para chegar em La Paz precisávamos ainda de mais 2 horas de viagem. Trocamos no risco alguns $bolivianos com perueiros que aguardavam lotar seus carros para rumar à capital. Encontramos um hostel bacaninha, pra mochileiros sem muita grana. Um dos lugares mais limpos que vimos nos três dias que passamos ali.
La Paz é terrivelmente bagunçada. O visual em 360º é o mesmo, casas nos morros sem o mais simples acabamento colorem a paisagem de laranja/terra. É muito barulho, lixo, gente, lixo, carros desordenados, mais lixo e para a fome muita opção de comida servida no meio da rua. Não se compara ao nosso sanduíche grego ou mesmo os yakisobas da Paulista.
Somente no primeiro dia a cidade fedeu muito, nos outros... acostumamos. As pessoas tem vida difícil e nos comércios não simulam cortesia, são rudes mesmo.
Leandro, Priscila e Tiago subiram até o vulcão Chacantaya e também conheceram o Vale da Lua boliviano, os amigos equatorianos com pique inicial de viagem visitaram museus, prédios do governo, igrejas e construções coloniais. A febre, a tosse e a constante falta de ar limitou-me a uns poucos km de mirada geral e uma visita ao Museo de la Coca. Lá masquei as primeiras folhas da erva milenar, senti adormecer a boca e o ar pareceu vir mais fácil. O espaço traça uma linha cultural sobre o uso da MamaCoca, desde cerimônias espirituais e aplicações medicinais até a transformação química para o narcotráfico. Relata a apologia por parte de instituições religiosas que a princípio eram contra o "mascar folha" até descobrirem que os mineradores rendiam mais no trabalho quando utilizavam a erva e chama a atenção sobre o alto índice de viciados americanos (50% da cocaína produzida e vendida no mundo é consumida por americanos).


Dali seguimos a Uyuni. Um dos cenários mais surpreendentes de toda a viagem nos aguardava.

13.10.06

Lago Titicaca - Puno

De Machu Picchu voltamos a Cusco, e mesmo com os pés inchados devido aos famintos mosquitos da trilha, curtimos uma noite no Mama Africa. Muita música Latina (ao vivo), alguns estrangeiros, Cuba Libre e diversão. No dia seguinte iríamos cedinho para Puno de trem, imaginamos que poderíamos curtir bem a festa e descansar na viagem. A poltrona não ajudou e nem o cardápio... passamos 10 horas comendo bolacha, bebendo água e sentados em posição reta. O cardápio estava em dólares e a sopa "avaliada" em US$ 8,00. Peru desdobra sua economia ao turismo e a população se torna oportunista. Paradoxal ver tantas pessoas de países desenvolvidos estarem aqui, assim penso que os peruanos enxergam como recompensa os exorbitantes gastos gringos... o dinheiro difícil parece mais próximo agora. "Ha que aprovechar bien estos momentos." Ao descer do trem desespero dos agentes receptivos. Muita oferta de hospedagens, leilão de leitos e pouca paciência depois de uma longa viagem. Arriscamos pelo mais barato.

Acordamos cedo para passear pelo Lago Titicaca, o maior lago navegável do mundo, que também está presente no território boliviano, na cidade de Copacabana. Optamos pelo lado peruano, em Puno, devido as ilhas flutuantes habitadas por indios quechuas. São cerca de 40 ilhas de totoras (espécie de fibra vegetal) construídas de acordo com as técnicas dos antepassados aymarás.
Ali as pessoas vivem, ajeitam suas casas de tempos em tempos e vendem artesanato aos visitantes que chegam para admirar a coragem desse povo que vislumbrou no lago uma forma de sobreviver às ameaças dos espanhóis no período colonial.

7.10.06

Machu Picchu - fotos

Cusco - resgate cultural Inca

MACHU PICHU
A capital Cusco agora é colonial e católica por força dos espanhóis, mas reserva em seus vários cerros grandes ruínas incas. Por aqui passamos por Pizac, Ollantaytambo e mais perto Sacsayhuaman. São em sua maioria templos espirituais e fortalezas para vigiar o inimigo. As pessoas ainda falam quechua e carregam um sentimento de violação. Espanhóis aqui chegaram e levaram muito do que poderia ser contado sobre a forte civilização inca. Os mais curiosos arquitetos ficariam surpresos com a inteligência de suas construções limitadas apenas pela ausência de maquinários. Machu Picchu, a cerca de 3 horas da capital cusquenha, é a maior formação arqueológica inca. Na entrada do parque uma placa em comemoração ao descobrimento das ruínas homenagea o americano Hiram Bingham que chegou ao lugar em 1911 e só não carregou as pedras por "força maior". Surpresa nossa foi saber que o maior museu inca está nos EUA. Em atraso autoridades peruanas reividicaram seu patrimônio e receberam como resposta diplomata "Peçam ao Sr. Bingham", já morto. Por isso parte do que escutamos do guia é verdade e outras são histórias pra dormir, afinal sem objetos, artesanatos, ferramentas e restos humanos o direito dos peruanos em saber mais sobre seu passado foi lesado pelos "gringos".
Machu Picchu, ou pedra-velha, está localizada em uma região de muitas montanhas e vales no intuito de refugiar-se da ameaça branca. É uma cidade completa, com espaço reservado à agricultura (grandes áreas escalonadas que melhor aproveitam o terreno), casas, fábricas de tecelagem e templos dedicados ao Sol, Pachamama (Madre Terra) e ao Condor - os incas acreditavam que o pássaro conduzia os espíritos dos mortos aos deuses, garantindo assim a eternidade.
Machu Picchu é ainda mais impressionante quando vista de WaynaPicchu - pedra jovem. Chegar ao topo leva duas horas pela trilha, mas estar por 20 minutos olhando para a magnitude inca te transforma no mais humilde branco. MachuPichu, tem que estar para sentir!

6.10.06

Lima - capital peruana

A viagem até Lima rendeu a melhor janta à bordo, mas a chegada não entusiasmou. Muita poluição visual, barulho de buzina e gritos anciosos dos cobradores que pendurados nas portas convidam os possíveis passageiros a lotarem as conduções apertadas. Um deles indagou algo sobre o Brasil quando confirmou nossa nacionalidade "O maior do mundo"? Parece que um narrador de futebol peruano, simpático ao nosso país, atribuiu a qualidade que fica perdida aos menos instruídos como maior em extensão de território... e vibram muito com as vitórias brasileiras. Outro indignado reclama que não há no mundo país que seja mais corrupto que o Peru, disse que o país vai mal e completou sobre a vontade de ir ao Brasil.
Visitar a região central com prédios mais antigos, conhecer os casarões governamentais, igrejas e as praças confere uma beleza rala, espalhada e pouco convincente mas contrabalanceada pela gentileza peruana e a alegria das crianças que pedem uma foto.
Miraflores, um bairro/distrito mais elitizado de Lima, está na encosta e possibilita uma vista privilegiada do mar além de um sofisticado roteiro gastronômico e noturno, não para nossos bolsos vazios que nos levou a conhecer as boa$ opções noturnas de Barranco.
Dois novos amigos equatorianos do hostel tiveram suas máquinas fotográficas arrancadas a força, não ouviram os tantos avisos para serem discretos e pouco exporem suas características "sou turista e tenho dólar". Somando outros dois brasileiros, juntamos um grupo de 6 pessoas com roteiro igual para os próximos 10 dias. Felicidade em encontrá-los para equilibrar nossos temperamentos e mudar os ares. Felipe, José Maria, Priscila e Tiago. Rumamos a Cusco. Enjoamos, o cheiro era ruim e os pudores peruanos iam diminuindo... além de homens, agora uma senhora chola (típica camponesa indígena) sem constrangimento fez necessidades na rua ao descer do ônibus.

27.9.06

Arequipa - La Ciudad Blanca


Depois de 40 horas na estrada e terminais, um bom banho quente e uma cama foi o máximo que nossos anseios mochileiros puderam garimpar no final de tarde quando chegamos em Arequipa. Chegamos ao hostal de táxi porque aqui cremos ser o único lugar onde é mais barato que gastar sola. Concluímos que Arequipa tem mais táxi do que habitantes. Pagando pouco pelo quarto, negociamos ainda uma televisão que nos possibilitou acompanhar as pesquisas de intenção de votos com Fátima Bernardes. Lula está muito a frente. Daqui torcemos pelo segundo turno e assim chegaremos a tempo de somar dois votos contra o que aí está.

Saímos para conhecer a cidade assim que, sem esforço, despertamos. Surpresa nossa foi ver quantos museus, conventos e igrejas teríamos para visitar, mas como já passava das 15h, almoçamos e subimos até o mirador da cidade a fim de ver melhor os vulcões, ainda ativos, que ameaça a região. Antropólogos já localizaram diversas múmias em seus topos, porém a mais importante até o momento trata-se de uma menina com idade entre 12-14, descoberta em 1995. Estima-se que a múmia Juanita ou a Bela Menina do Vulcão Ampato (hoje conservada e exposta no Museu Santuários Andinos) foi sacrificada a cerca de 550 anos em oferenda a Apu Ampato por sacerdotes incas. Tão mística foi a descoberta pelo fato de as geleiras do vulcão ter conservado perfeitamente o corpo da jovem menina. Outro importante atrativo é o mosteiro de Santa Catalina, que além de capelas, salas de retiro e pátios, possui uma cidadela com várias vilas. Foi fundado em 1580 para as monjas de clausura. É um ambiente espiritualizado e muito grande que deve ser visitado com tempo, porque fatalmente você TAMBÉM poderá se perder quando estiverem fechando as portas.

Arequipa - fotos

Arequipa é conhecida como a Cidade Branca por seus numerosos templos e casonas construídos com pedra de lava vulcânica.



Ao tentar fotografar uma senhora tipicamente camponesa que rapidamente saiu correndo aborrecida, fiquei envergonhado... Por que a vejo assim? Nós aqui é que somos diferentes. Por que estamos de óculos escuro e bermuda? E por que somos tão brancos e fracos? De modo geral os turístas assustam os costumes andinos e os olhares de surpresa, percebi que são recíprocos.

Atacama até o Peru

Foram 23 horas de viagem para uma parada breve em Calama, alí pegaríamos outro ônibus para Arica (divisa com Peru). Em alguns momentos, assim como a gente, o motorista parece não ter pressa... faz inúmeras paradas em auto estrada para que senhoras com cestas de fracturas, empanadas e pães possam circular pelo ônibus oferecendo à tripulação. Digo inúmeras porque as senhoras tem êxito nas vendas e assim que esvaziam suas cestas, mais a frente descem para que outras subam. Bonito ver como as pessoas estão se ajudando.
As viagens longas sempre proporcionam filmes que você certamente não percebe na locadora, mas te distrai de um medo constante de manobras noturnas mais arriscadas do motorista. A estrada é estreita e são muitas as curvas. Ao primeiro sinal de claridade tratamos de despertar para aproveitar o visual, que nesse caso foi incrível. Cruzamos uma parte do deserto de Atacama. Paisagem lisa, imensidão de terra fofa e muito pó.
Chegando em Arica atravessamos a fronteira (Arica > Tacna) em um carro estilo cadilac velho com 5 estrangeiros, depois esperamos por um ônibus para seguir viagem até Arequipa - primeira cidade no Peru a ser visitada.

15.9.06

Viña del Mar - Chile

Encostada a Valparaíso, Viña deve superlotar no verão. As águas do pacífico que molham suas praias e chicoteam nas pedras convidam apenas o sol de inverno a banhar-se. Mesmo assim alguns estão sentados na areia e curtem. Sofreu em 1906 um forte terremoto e ainda sim abriga um magnífico patrimônio arquitetônico, composto por castelos, casarões e monumentos. Outro atrativo é o elegante Casino del Mar, passamos em frente ao menos e "sacamos una foto".

Valparaíso - Chile

Uma cidade portuária que escorre dos morros para o mar.
São tantos os morros que ascensores (espécie de elevadores inclinados) ligam a parte alta da cidade à borda costeira. Já foram muito utilizados pela população e hoje são atrativos turísticos. Foi aqui que dormimos onde não podíamos imaginar. Sem muita opção procuramos por residências de famílias que disponibilizam quartos em suas casas.
Achamos o Residencial Victoria e negociamos um bom preço. A suspeita pelo visual roxo, vermelho e preto foi confirmado quando mais pessoas começaram a circular, incluindo mulheres... como posso dizer, menos comportadas. À noite descobrimos que o aviso na rua "ambiente familiar" escondia um puteiro.
Valparaíso é uma das várias cidades onde viveu Pablo Neruda. Estivemos no jardim de sua casa que recebeu um banco personalizado como regalo. Confiram Leandro, Eu e Neruda.

14.9.06

Santiago do Chile

Chegamos às 22h em Santiago. Corremos para o guichê de informações em busca de sugestões rápidas para hospedagem barata. Tínhamos opções próximas a estações do metro, "Mas precisam ir rápido porque encerram em 20 min, e cuidado com os arredores há muitos aguardando os mais distraídos, segurem seus pert..." Gracias, Tchau, Hasta luego!!
Pagamos o equivalente a R$ 1,60 e mesmo com pressa contemplamos a beleza do metro, digno de uma grande e desenvolvida cidade como Santiago.
Os dois primeiros dias foram inquietos. Buscamos algo mais barato que oferecia mais que a cama, o cansaço da noite anterior falou mais do que as habilidades com calculos econômicos. Enquanto isso tentávamos encontrar um amigo, também mineiro, que está fazendo intercâmbio universitário na cidade. Novamente mudamos, só que agora para a república do Magno... lá poderíamos ficar d'grátis até que o dono aparecesse para cobrar a diária. De 4 noites pagamos uma. Valeu Magno!
Conhecemos a cidade, o centro histórico e comercial (veículos e eletrônicos estão baratos - precisamos lembrar quem se equivocou em dizer-nos que em Santiago viver custa caro). Comemos caldo de mariscos no Mercado Municipal, e acho que não gostamos muito ao contrário do Leando que optou pelo pescado. Foi em Santiago, até o momento, que curtimos a melhor balada. Muito Reggaeton e Salsa.
Com a economia nas diárias, valeu Magno de novo, programamos um dia para esquiar no Vale Nevado (onde ocorre o campeonato mundial de esportes em neve). Caímos muito, mas descer ao menos uma vez de maneira limpa a pista intermediária , sem tombos, valeu as dores dos dias seguintes. Ficamos 6 dias em Santiago. Apesar de muito grande nos pareceu limpa, sobretudo quando vimos a cuidadosa gari descolando chicletes agarrados no chão.

Santiago do Chile - Vale Nevado


13.9.06

Rumo ao Chile

A rota entre Argentina e Chile ficou interdidata por 12h por causa da neve. Entramos no ônibus sabendo que a viagem se prolongaria em função da enorme fila de veículos, principalmente caminhões. A estrada ziguezagueia pelos cordões Andinos e premeia os olhos dos que resistiram ao sono da viagem com lindas paisagens. Permita-me uma comparação fantasiosa e infantil, mas assemelham-se a flocos. A neve está baixando e parte das rochas já estão descobertas. No ônibus preenchemos o documento de migração que alertava para a entrada de alimentos não industrializados provenientes de leite, ovo, carne e vegetal. Tinhamos cozinhado em Mendoza e levado conosco alguns ingredientes, incluindo cebola, ovos e abóbora. A coisa ficou séria quando cachorros começaram a investigar com o faro as bagagens. Antes de sermos abordados, tratamos de jogar fora a sacola que poderia causar uma multa salgada.
Chegamos em Santiago!!!

11.9.06

Mendoza - AR


Caroneiros. Ficamos 3 horas revezando entre quem segurava o cartaz indicando o destino e quem estendia o dedão. Méritos ao Leandro! Por duas vezes motoristas pararam e por sorte o segundo passaria direto pela nova cidade. Andres, o amigo condutor, nos contou que em duas semanas se casaria e a lua-de-mel seria no sul brasileiro. Em duas horas chegamos em Mendoza, antes passamos pela polícia rodoviária que questionou se tinhamos drogas ou armas... educados não revistaram, simplesmente perguntaram e também não estranharam Leandro na traseira da caminhoneta.
Visitamos duas vinículas, afinal Mendoza é a capital do vinho. A degustação tratou de confirmar sua fama com um bom rosado, tinto e branco. Uma pena as mochilas não tolerarem nem mais um pé de meias, levaríamos garrafas ao Brasil.
Andamos pela cidade, conhecemos a parte histórica e chegamos ao Parque Estadual San Martin. Visitamos o estádio que sediou alguns jogos da copa de 1978 e decidimos subir o cerro onde encontraríamos um mirante e um monumento, alto viu!.
Enquanto Leandro seguia pela estrada, resolvi escalar alguns morros para encurtar caminho "lá em cima te espero". Novamente levou a melhor, na primeira curva encontrou uma trilha limpa até o alto, eu... além de uns cortes na mão cheguei 10 min depois.
Pegamos uma excursão de um dia inteiro para conhecer o entorno e chegar ao pé do Aconcágua. Paisagens variadas, de muito morro, vegetação seca e claro as Cordilheiras Andinas. GELEIRAS!!! Não importa se foram 20 minutos, deitamos, afundamos e escorregamos na neve virgem.

Mendoza - AR


31.8.06

Tributo à Estrada

É ela o melhor travesseiro, o melhor divã e a mais expressiva janela para o mundo.
Não se trata de uma via apenas para eixos duplos, quadruplos ou tantos mais. Por ela passa em sua maioria os melhores sentimentos de alívio, esperança, saudade de quem ficou na outra ponta e orgulho de si.
Pegar a estrada é ao menos em um instante mudar... Você pode depois estar no sentido contrário e voltar, mas algo de novo terá em você.
Olhar o horizonte e vê-la interminável figura o quanto é preciso percorrer para chegar onde quer.
Se reparar bem ela é única. Suas ramificações levam outro nome porque é modesta e prefere dividir seus atributos em codinomes que criam uma grande malha. Essas inúmeras vias te permite ficar aqui, ir mais adiante ou virar à esquerda... tanto faz! chegar é naturalmente escolha sua.
Deixe ela te conduzir mais vezes para um canto que vai fazer turbilhar em você muitas emoções. por Flávio Reis


Próxima Parada MENDOZA

San Juan - AR


Pegamos o último ônibus de Córdoba para San Juan, assim economizamos uma diária/pernoite - a viagem durou 09 horas e dormimos bem na poltrona. Chegamos sábado (26/ago) cedinho e pegamos gratuitamente o café da manhã no Triasico Hostel. Pagamos por duas noites e pela excursão que fariamos até o Vale de la Luna no domingo. O sábado foi para cozinhar e lavar algumas roupas.
Domingo cedo seguimos por 330 km até o Parque Provincial e Reserva Natural de Ischigualasto. Trata-se de um território paleontolóico de grande valor científico, pois revela a mais completa sequência geológica desde o Período Triásico a Era Mesozóica.
Enquanto o guarda-parque explicava alguns detalhes sobre a formação do relevo local, nos divertíamos buscando ângulos variados para fotografias. Isso desagradou-o um pouco, pois atrasamos um pouco a ida ao próximo atrativo. "As fotos não servem pra nada, quando vê-las ninguém entenderá o que é estar aqui" dizia para uns turistas mais velhos. A verdade é que o passeio é caro e feito às pressas, mas ainda assim inacreditável. Encontramos um acampamento de arqueólogos que sempre estão vasculhando fosséis no local. Aqui foi encontrado o mais antigo para orgulho dos argentinos. Beate e Andrea, duas irmãs austríacas, nos acompanharam na viagem e nas poses fotográficas.

Na volta passamos por uma vila com um santuário dedicado a uma "santa" não reconhecida pela Igreja. Diz a história (meados do séc. XIX) que para fugir de conflitos sangrentos entre guerrilheiros, uma senhora de nome Deolinda Correa agarrou seu filho e partiu para o deserto árido. Estendeu sua vida o quanto pode pelo pequeno que venceu graças ao leite de sua mãe morta. É tida como "Difunta Correa".