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13.10.06

Lago Titicaca - Puno

De Machu Picchu voltamos a Cusco, e mesmo com os pés inchados devido aos famintos mosquitos da trilha, curtimos uma noite no Mama Africa. Muita música Latina (ao vivo), alguns estrangeiros, Cuba Libre e diversão. No dia seguinte iríamos cedinho para Puno de trem, imaginamos que poderíamos curtir bem a festa e descansar na viagem. A poltrona não ajudou e nem o cardápio... passamos 10 horas comendo bolacha, bebendo água e sentados em posição reta. O cardápio estava em dólares e a sopa "avaliada" em US$ 8,00. Peru desdobra sua economia ao turismo e a população se torna oportunista. Paradoxal ver tantas pessoas de países desenvolvidos estarem aqui, assim penso que os peruanos enxergam como recompensa os exorbitantes gastos gringos... o dinheiro difícil parece mais próximo agora. "Ha que aprovechar bien estos momentos." Ao descer do trem desespero dos agentes receptivos. Muita oferta de hospedagens, leilão de leitos e pouca paciência depois de uma longa viagem. Arriscamos pelo mais barato.

Acordamos cedo para passear pelo Lago Titicaca, o maior lago navegável do mundo, que também está presente no território boliviano, na cidade de Copacabana. Optamos pelo lado peruano, em Puno, devido as ilhas flutuantes habitadas por indios quechuas. São cerca de 40 ilhas de totoras (espécie de fibra vegetal) construídas de acordo com as técnicas dos antepassados aymarás.
Ali as pessoas vivem, ajeitam suas casas de tempos em tempos e vendem artesanato aos visitantes que chegam para admirar a coragem desse povo que vislumbrou no lago uma forma de sobreviver às ameaças dos espanhóis no período colonial.

7.10.06

Machu Picchu - fotos

Cusco - resgate cultural Inca

MACHU PICHU
A capital Cusco agora é colonial e católica por força dos espanhóis, mas reserva em seus vários cerros grandes ruínas incas. Por aqui passamos por Pizac, Ollantaytambo e mais perto Sacsayhuaman. São em sua maioria templos espirituais e fortalezas para vigiar o inimigo. As pessoas ainda falam quechua e carregam um sentimento de violação. Espanhóis aqui chegaram e levaram muito do que poderia ser contado sobre a forte civilização inca. Os mais curiosos arquitetos ficariam surpresos com a inteligência de suas construções limitadas apenas pela ausência de maquinários. Machu Picchu, a cerca de 3 horas da capital cusquenha, é a maior formação arqueológica inca. Na entrada do parque uma placa em comemoração ao descobrimento das ruínas homenagea o americano Hiram Bingham que chegou ao lugar em 1911 e só não carregou as pedras por "força maior". Surpresa nossa foi saber que o maior museu inca está nos EUA. Em atraso autoridades peruanas reividicaram seu patrimônio e receberam como resposta diplomata "Peçam ao Sr. Bingham", já morto. Por isso parte do que escutamos do guia é verdade e outras são histórias pra dormir, afinal sem objetos, artesanatos, ferramentas e restos humanos o direito dos peruanos em saber mais sobre seu passado foi lesado pelos "gringos".
Machu Picchu, ou pedra-velha, está localizada em uma região de muitas montanhas e vales no intuito de refugiar-se da ameaça branca. É uma cidade completa, com espaço reservado à agricultura (grandes áreas escalonadas que melhor aproveitam o terreno), casas, fábricas de tecelagem e templos dedicados ao Sol, Pachamama (Madre Terra) e ao Condor - os incas acreditavam que o pássaro conduzia os espíritos dos mortos aos deuses, garantindo assim a eternidade.
Machu Picchu é ainda mais impressionante quando vista de WaynaPicchu - pedra jovem. Chegar ao topo leva duas horas pela trilha, mas estar por 20 minutos olhando para a magnitude inca te transforma no mais humilde branco. MachuPichu, tem que estar para sentir!

6.10.06

Lima - capital peruana

A viagem até Lima rendeu a melhor janta à bordo, mas a chegada não entusiasmou. Muita poluição visual, barulho de buzina e gritos anciosos dos cobradores que pendurados nas portas convidam os possíveis passageiros a lotarem as conduções apertadas. Um deles indagou algo sobre o Brasil quando confirmou nossa nacionalidade "O maior do mundo"? Parece que um narrador de futebol peruano, simpático ao nosso país, atribuiu a qualidade que fica perdida aos menos instruídos como maior em extensão de território... e vibram muito com as vitórias brasileiras. Outro indignado reclama que não há no mundo país que seja mais corrupto que o Peru, disse que o país vai mal e completou sobre a vontade de ir ao Brasil.
Visitar a região central com prédios mais antigos, conhecer os casarões governamentais, igrejas e as praças confere uma beleza rala, espalhada e pouco convincente mas contrabalanceada pela gentileza peruana e a alegria das crianças que pedem uma foto.
Miraflores, um bairro/distrito mais elitizado de Lima, está na encosta e possibilita uma vista privilegiada do mar além de um sofisticado roteiro gastronômico e noturno, não para nossos bolsos vazios que nos levou a conhecer as boa$ opções noturnas de Barranco.
Dois novos amigos equatorianos do hostel tiveram suas máquinas fotográficas arrancadas a força, não ouviram os tantos avisos para serem discretos e pouco exporem suas características "sou turista e tenho dólar". Somando outros dois brasileiros, juntamos um grupo de 6 pessoas com roteiro igual para os próximos 10 dias. Felicidade em encontrá-los para equilibrar nossos temperamentos e mudar os ares. Felipe, José Maria, Priscila e Tiago. Rumamos a Cusco. Enjoamos, o cheiro era ruim e os pudores peruanos iam diminuindo... além de homens, agora uma senhora chola (típica camponesa indígena) sem constrangimento fez necessidades na rua ao descer do ônibus.