Lago Titicaca - Puno
De Machu Picchu voltamos a Cusco, e mesmo com os pés inchados devido aos famintos mosquitos da trilha, curtimos uma noite no Mama Africa. Muita música Latina (ao vivo), alguns estrangeiros, Cuba Libre e diversão. No dia seguinte iríamos cedinho para Puno de trem, imaginamos que poderíamos curtir bem a festa e descansar na viagem. A poltrona não ajudou e nem o cardápio... passamos 10 horas comendo bolacha, bebendo água e sentados em posição reta. O cardápio estava em dólares e a sopa "avaliada" em US$ 8,00. Peru desdobra sua economia ao turismo e a população se torna oportunista. Paradoxal ver tantas pessoas de países desenvolvidos estarem aqui, assim penso que os peruanos enxergam como recompensa os exorbitantes gastos gringos... o dinheiro difícil parece mais próximo agora. "Ha que aprovechar bien estos momentos." Ao descer do trem desespero dos agentes receptivos. Muita oferta de hospedagens, leilão de leitos e pouca paciência depois de uma longa viagem. Arriscamos pelo mais barato.

Acordamos cedo para passear pelo Lago Titicaca, o maior lago navegável do mundo, que também está presente no território boliviano, na cidade de Copacabana. Optamos pelo lado peruano, em Puno, devido as ilhas flutuantes habitadas por indios quechuas. São cerca de 40 ilhas de totoras (espécie de fibra vegetal) construídas de acordo com as técnicas dos antepassados aymarás.
Ali as pessoas vivem, ajeitam suas casas de tempos em tempos e vendem artesanato aos visitantes que chegam para admirar a coragem desse povo que vislumbrou no lago uma forma de sobreviver às ameaças dos espanhóis no período colonial.



MACHU PICHU
com espaço reservado à agricultura (grandes áreas escalonadas que melhor aproveitam o terreno), casas, fábricas de tecelagem e templos dedicados ao Sol, Pachamama (Madre Terra) e ao Condor - os incas acreditavam que o pássaro conduzia os espíritos dos mortos aos deuses, garantindo assim a eternidade.
A viagem até Lima rendeu a melhor janta à bordo, mas a chegada não entusiasmou. Muita poluição visual, barulho de buzina e gritos anciosos dos cobradores que pendurados nas portas convidam os possíveis passageiros a lotarem as conduções apertadas. Um deles indagou algo sobre o Brasil quando confirmou
nossa nacionalidade "O maior do mundo"? Parece que um narrador de futebol peruano, simpático ao nosso país, atribuiu a qualidade que fica perdida aos menos instruídos como maior em extensão de território... e vibram muito com as vitórias brasileiras. Outro indignado reclama que não há no mundo país que seja mais corrupto que o Peru, disse que o país vai mal e completou sobre a vontade de ir ao Brasil.
Dois novos amigos equatorianos do hostel tiveram suas máquinas fotográficas arrancadas a força, não ouviram os tantos avisos para serem discretos e pouco exporem suas características "sou turista e tenho dólar". Somando outros dois brasileiros, juntamos um grupo de 6 pessoas com roteiro igual para os próximos 10 dias. Felicidade em encontrá-los para equilibrar nossos temperamentos e mudar os ares. Felipe, José Maria, Priscila e Tiago. Rumamos a Cusco. Enjoamos, o cheiro era ruim e os pudores peruanos iam diminuindo... além de homens, agora uma senhora chola (típica camponesa indígena) sem constrangimento fez necessidades na rua ao descer do ônibus.

