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27.9.06

Arequipa - La Ciudad Blanca


Depois de 40 horas na estrada e terminais, um bom banho quente e uma cama foi o máximo que nossos anseios mochileiros puderam garimpar no final de tarde quando chegamos em Arequipa. Chegamos ao hostal de táxi porque aqui cremos ser o único lugar onde é mais barato que gastar sola. Concluímos que Arequipa tem mais táxi do que habitantes. Pagando pouco pelo quarto, negociamos ainda uma televisão que nos possibilitou acompanhar as pesquisas de intenção de votos com Fátima Bernardes. Lula está muito a frente. Daqui torcemos pelo segundo turno e assim chegaremos a tempo de somar dois votos contra o que aí está.

Saímos para conhecer a cidade assim que, sem esforço, despertamos. Surpresa nossa foi ver quantos museus, conventos e igrejas teríamos para visitar, mas como já passava das 15h, almoçamos e subimos até o mirador da cidade a fim de ver melhor os vulcões, ainda ativos, que ameaça a região. Antropólogos já localizaram diversas múmias em seus topos, porém a mais importante até o momento trata-se de uma menina com idade entre 12-14, descoberta em 1995. Estima-se que a múmia Juanita ou a Bela Menina do Vulcão Ampato (hoje conservada e exposta no Museu Santuários Andinos) foi sacrificada a cerca de 550 anos em oferenda a Apu Ampato por sacerdotes incas. Tão mística foi a descoberta pelo fato de as geleiras do vulcão ter conservado perfeitamente o corpo da jovem menina. Outro importante atrativo é o mosteiro de Santa Catalina, que além de capelas, salas de retiro e pátios, possui uma cidadela com várias vilas. Foi fundado em 1580 para as monjas de clausura. É um ambiente espiritualizado e muito grande que deve ser visitado com tempo, porque fatalmente você TAMBÉM poderá se perder quando estiverem fechando as portas.

Arequipa - fotos

Arequipa é conhecida como a Cidade Branca por seus numerosos templos e casonas construídos com pedra de lava vulcânica.



Ao tentar fotografar uma senhora tipicamente camponesa que rapidamente saiu correndo aborrecida, fiquei envergonhado... Por que a vejo assim? Nós aqui é que somos diferentes. Por que estamos de óculos escuro e bermuda? E por que somos tão brancos e fracos? De modo geral os turístas assustam os costumes andinos e os olhares de surpresa, percebi que são recíprocos.

Atacama até o Peru

Foram 23 horas de viagem para uma parada breve em Calama, alí pegaríamos outro ônibus para Arica (divisa com Peru). Em alguns momentos, assim como a gente, o motorista parece não ter pressa... faz inúmeras paradas em auto estrada para que senhoras com cestas de fracturas, empanadas e pães possam circular pelo ônibus oferecendo à tripulação. Digo inúmeras porque as senhoras tem êxito nas vendas e assim que esvaziam suas cestas, mais a frente descem para que outras subam. Bonito ver como as pessoas estão se ajudando.
As viagens longas sempre proporcionam filmes que você certamente não percebe na locadora, mas te distrai de um medo constante de manobras noturnas mais arriscadas do motorista. A estrada é estreita e são muitas as curvas. Ao primeiro sinal de claridade tratamos de despertar para aproveitar o visual, que nesse caso foi incrível. Cruzamos uma parte do deserto de Atacama. Paisagem lisa, imensidão de terra fofa e muito pó.
Chegando em Arica atravessamos a fronteira (Arica > Tacna) em um carro estilo cadilac velho com 5 estrangeiros, depois esperamos por um ônibus para seguir viagem até Arequipa - primeira cidade no Peru a ser visitada.

15.9.06

Viña del Mar - Chile

Encostada a Valparaíso, Viña deve superlotar no verão. As águas do pacífico que molham suas praias e chicoteam nas pedras convidam apenas o sol de inverno a banhar-se. Mesmo assim alguns estão sentados na areia e curtem. Sofreu em 1906 um forte terremoto e ainda sim abriga um magnífico patrimônio arquitetônico, composto por castelos, casarões e monumentos. Outro atrativo é o elegante Casino del Mar, passamos em frente ao menos e "sacamos una foto".

Valparaíso - Chile

Uma cidade portuária que escorre dos morros para o mar.
São tantos os morros que ascensores (espécie de elevadores inclinados) ligam a parte alta da cidade à borda costeira. Já foram muito utilizados pela população e hoje são atrativos turísticos. Foi aqui que dormimos onde não podíamos imaginar. Sem muita opção procuramos por residências de famílias que disponibilizam quartos em suas casas.
Achamos o Residencial Victoria e negociamos um bom preço. A suspeita pelo visual roxo, vermelho e preto foi confirmado quando mais pessoas começaram a circular, incluindo mulheres... como posso dizer, menos comportadas. À noite descobrimos que o aviso na rua "ambiente familiar" escondia um puteiro.
Valparaíso é uma das várias cidades onde viveu Pablo Neruda. Estivemos no jardim de sua casa que recebeu um banco personalizado como regalo. Confiram Leandro, Eu e Neruda.

14.9.06

Santiago do Chile

Chegamos às 22h em Santiago. Corremos para o guichê de informações em busca de sugestões rápidas para hospedagem barata. Tínhamos opções próximas a estações do metro, "Mas precisam ir rápido porque encerram em 20 min, e cuidado com os arredores há muitos aguardando os mais distraídos, segurem seus pert..." Gracias, Tchau, Hasta luego!!
Pagamos o equivalente a R$ 1,60 e mesmo com pressa contemplamos a beleza do metro, digno de uma grande e desenvolvida cidade como Santiago.
Os dois primeiros dias foram inquietos. Buscamos algo mais barato que oferecia mais que a cama, o cansaço da noite anterior falou mais do que as habilidades com calculos econômicos. Enquanto isso tentávamos encontrar um amigo, também mineiro, que está fazendo intercâmbio universitário na cidade. Novamente mudamos, só que agora para a república do Magno... lá poderíamos ficar d'grátis até que o dono aparecesse para cobrar a diária. De 4 noites pagamos uma. Valeu Magno!
Conhecemos a cidade, o centro histórico e comercial (veículos e eletrônicos estão baratos - precisamos lembrar quem se equivocou em dizer-nos que em Santiago viver custa caro). Comemos caldo de mariscos no Mercado Municipal, e acho que não gostamos muito ao contrário do Leando que optou pelo pescado. Foi em Santiago, até o momento, que curtimos a melhor balada. Muito Reggaeton e Salsa.
Com a economia nas diárias, valeu Magno de novo, programamos um dia para esquiar no Vale Nevado (onde ocorre o campeonato mundial de esportes em neve). Caímos muito, mas descer ao menos uma vez de maneira limpa a pista intermediária , sem tombos, valeu as dores dos dias seguintes. Ficamos 6 dias em Santiago. Apesar de muito grande nos pareceu limpa, sobretudo quando vimos a cuidadosa gari descolando chicletes agarrados no chão.

Santiago do Chile - Vale Nevado


13.9.06

Rumo ao Chile

A rota entre Argentina e Chile ficou interdidata por 12h por causa da neve. Entramos no ônibus sabendo que a viagem se prolongaria em função da enorme fila de veículos, principalmente caminhões. A estrada ziguezagueia pelos cordões Andinos e premeia os olhos dos que resistiram ao sono da viagem com lindas paisagens. Permita-me uma comparação fantasiosa e infantil, mas assemelham-se a flocos. A neve está baixando e parte das rochas já estão descobertas. No ônibus preenchemos o documento de migração que alertava para a entrada de alimentos não industrializados provenientes de leite, ovo, carne e vegetal. Tinhamos cozinhado em Mendoza e levado conosco alguns ingredientes, incluindo cebola, ovos e abóbora. A coisa ficou séria quando cachorros começaram a investigar com o faro as bagagens. Antes de sermos abordados, tratamos de jogar fora a sacola que poderia causar uma multa salgada.
Chegamos em Santiago!!!

11.9.06

Mendoza - AR


Caroneiros. Ficamos 3 horas revezando entre quem segurava o cartaz indicando o destino e quem estendia o dedão. Méritos ao Leandro! Por duas vezes motoristas pararam e por sorte o segundo passaria direto pela nova cidade. Andres, o amigo condutor, nos contou que em duas semanas se casaria e a lua-de-mel seria no sul brasileiro. Em duas horas chegamos em Mendoza, antes passamos pela polícia rodoviária que questionou se tinhamos drogas ou armas... educados não revistaram, simplesmente perguntaram e também não estranharam Leandro na traseira da caminhoneta.
Visitamos duas vinículas, afinal Mendoza é a capital do vinho. A degustação tratou de confirmar sua fama com um bom rosado, tinto e branco. Uma pena as mochilas não tolerarem nem mais um pé de meias, levaríamos garrafas ao Brasil.
Andamos pela cidade, conhecemos a parte histórica e chegamos ao Parque Estadual San Martin. Visitamos o estádio que sediou alguns jogos da copa de 1978 e decidimos subir o cerro onde encontraríamos um mirante e um monumento, alto viu!.
Enquanto Leandro seguia pela estrada, resolvi escalar alguns morros para encurtar caminho "lá em cima te espero". Novamente levou a melhor, na primeira curva encontrou uma trilha limpa até o alto, eu... além de uns cortes na mão cheguei 10 min depois.
Pegamos uma excursão de um dia inteiro para conhecer o entorno e chegar ao pé do Aconcágua. Paisagens variadas, de muito morro, vegetação seca e claro as Cordilheiras Andinas. GELEIRAS!!! Não importa se foram 20 minutos, deitamos, afundamos e escorregamos na neve virgem.

Mendoza - AR